Ao completar seis meses de vida, grande parte dos lactentes saudáveis já apresentam a capacidade para sentar sem apoio, sustentar a cabeça e o tronco, segurar objetos com as mãos, e explorar estímulos ambientais. Outras aquisições são o desenvolvimento oral, o desaparecimento do reflexo de protrusão, e o aparecimento dos movimentos voluntários e independentes da língua, fazendo com que o alimento role na boca e a criança o mastigue. Estes são os aspectos motores que indicam que se pode iniciar a introdução de outros alimentos, denominada alimentação complementar (AC).

Entender os sinais de maturidade do lactente para introdução de alimentos sólidos é fundamental para uma alimentação complementar com sucesso. Nos primeiros seis meses de vida, o aleitamento materno será a fonte ideal do ponto de vista nutricional, emocional e de estímulo motor.

Após os seis meses de idade, o lactente deve continuar em aleitamento materno, mas há a necessidade de introdução da AC, tanto do ponto de vista nutricional (sendo fonte de ferro, zinco, vitamina A e calorias), quanto do ponto de vista motor, aproveitando esta fase de intensa curiosidade em explorar o meio ambiente.

Neste contexto a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) tem orientações publicadas no Manual de Orientação do Departamento de Nutrologia, disponível desde 2006 e atualizado em 2012, contendo informações abrangentes sobre o processo de início da AC, tanto do ponto de vista nutricional como comportamental:

  • A evolução da consistência deve ser gradual: oferecidos inicialmente em forma de papas;
  • Todos os grupos alimentares devem ser oferecidos a partir da primeira papa principal;
  • A refeição deve ser amassada, sem peneirar ou liquidificar;
  • O ritmo da criança deve ser respeitado, de acordo com o desenvolvimento neuropsicomotor;
  • Recomenda-se o uso do nome papa principal e não papa salgada.

Além desta recomendação, o Ministério da Saúde (MS) publicou a segunda edição do Guia Alimentar para crianças menores de dois anos que também destaca os seguintes tópicos:

  • A consistência dos alimentos complementares deve ser oferecida de forma crescente: pastosa, papa e purê;
  • A partir de 8 meses a criança pode receber os alimentos da família amassados, triturados, desfiados ou cortados em pequenos pedaços;
  • A alimentação complementar complementa o leite materno e não o substitui;
  • Deve-se incentivar a criança a comer nos horários de refeições da família;
  • Atenção especial às práticas comportamentais, posturais e ambientais.

Além das recomendações publicadas oficialmente por comitês profissionais, há outras abordagens de AC sendo difundidas pela internet como, por exemplo, o Baby-Led Weaning (BLW) que significa: o desmame guiado pelo bebê. Conceitualmente a idealizadora, a britâ- nica Gill Rapley, defende a oferta de alimentos complementares em pedaços, tiras ou bastões. Sua abordagem não inclui alimentação com a colher e nenhum método de adaptação de consistência para preparar a refeição do lactente, como amassar, triturar ou desfiar. Segundo Rapley o BLW não é um método específico, mas uma abordagem que encoraja os pais a confiarem na capacidade nata que o lactente possui de auto alimentar-se. As publicações sobre o BLW contêm ampla defesa para o uso de alimentos in natura, desencorajando a alimentação do lactente realizada na forma tradicional como papinha ou purês.

Pode se concluir então que, no momento da AC, o lactente pode receber os alimentos amassados oferecidos na colher, mas também deve experimentar com as mãos, explorar as diferentes texturas dos alimentos como parte natural de seu aprendizado sensório motor. Deve-se estimular a interação com a comida, evoluindo de acordo com seu tempo de desenvolvimento. Não há evidências e trabalhos publicados em quantidade e qualidade suficientes para afirmar que o método BLW seja a única forma correta de introdução alimentar. As orientações fornecidas pelos autores são coerentes com o desenvolvimento infantil, mas, limitar um processo complexo a uma única abordagem pode não ser factível para muitas famílias, e, portanto, não pode ser endossado – como forma única de alimentação infantil – pelo Departamento de Nutrologia da SBP.

FONTE: SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. A alimentação complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning). Pg 1-6, nº3, 2017.

Mayara Ribeiro

Estagiária de Nutrição

 Silvia Ramos

Nutricionista- CRN3/10908

 

Sem comentários.

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *