O monitoramento clínico nutricional conduzido por toda a vida possibilita tratar precocemente deficiências nutricionais e reganho ponderal que podem ocorrer em médio e longo prazos.  Ele deve estar em conformidade com as principais técnicas cirúrgicas atuais, como banda gástrica laparoscópica ajustável (laparoscopic adjustable gastric banding, LAGB), gastrectomia vertical laparoscópica (laparoscopic sleeve gastrectomy, LSG), by-pass gástrico em Y de Roux (Roux-en-Y gastric by-pass, RYGB) e derivação bilio- pancreática laparoscópica/duodenal switch (biliopancreatic di- version/duodenal switch, BPD/DS), em pacientes diabéticos ou não diabéticos.

Rotinas específicas de tratamento nutricional são sugeridas na última diretriz da Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (American Society for Metabolic and Bariatric Surgery, ASMBS), as quais devem ser consideradas em cada caso individualmente:

  • Hipofosfatemia leve ou moderada pode ocorrer por hipovitaminose D, com possibilidade de correção por meio de suplemento oral de fosfato;
  • Oxalose e cálculos de oxalato de cálcio: maior ingestão de líquidos (> 1,5 L/dia), dieta reduzida em oxalato e uso de probióticos melhoram a excreção renal de oxalatos e os níveis de supersaturação (em casos de deficiência de vitaminas lipossolúveis com hepatopatia, coagulopatia ou osteoporose, devem-se avaliar os níveis de vitamina K1);
  • Anemias nutricionais decorrentes de técnicas mal-absortivas podem envolver deficiências de vitamina B12, ácido fólico, proteína, cobre, selênio e zinco, devendo ser avaliadas quando a anemia por deficiência de ferro for negativa;
  • Screening para zinco deve ser realizado nos procedimentos mal-absortivos e considerado em pacientes com grave queda de cabelo, pica ou disgeusia significante e em homens com hipogonadismo e disfunção erétil. Com o intuito de evitar déficit de cobre, pode-se associar 1 mg de cobre para cada 8 a 15 mg de zinco suplementado;
  • Suplementação de cobre (dose de 2 mg/dia) deve ser incluída na rotina com multivitamínico mineral, devendo- se avaliar o uso em casos de anemia, neutropenia, mielopatias, inadequada cicatrização de feridas, deficiência de tiamina por rápida perda de peso (acima da média para a técnica cirúrgica), vômitos prolongados, nutrição parenteral, excesso de álcool, neuropatia, encefalopatia ou insuficiência cardíaca;
  • Suspeita de supercrescimento bacteriano na alça bilio- pancreática após BPD/DS deve ser tratada empiricamente com metronidazol ou antibióticos (em caso de resistência, Lactobacillus plantarum e Lactobacillus GG podem ser considerados);
  • Nas alterações gastrintestinais graves e persistentes que incluam sintomas como náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia e constipação intestinal, é necessária avaliação urgente do cirurgião;
  • TNE ou TNP deve ser considerada nos casos de risco nutricional (Nutritional Risk Screening 2002 [NRS 2002] com pontuação ≥ 3) ou desnutrição grave (esta última tratada em âmbito hospitalar, seguindo-se as diretrizes atuais de terapia nutricional);

A Nutrição parenteral é indicada quando não se atingem 75% das necessidades nutricionais por via oral ou enteral, após 5 a 7 dias com doença não crítica ou 3 a 7 dias com doença grave, e quando se verificam desnutrição proteica grave e/ ou hipoalbuminemia não responsiva à suplementação proteica oral ou enteral.

Para conhecer um pouco mais sobre a Pós em Nutrição Clínica e Terapia Nutricional acesse: https://goo.gl/WYsUrA

FONTE: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2017-2018).

Mayara Ribeiro

Estagiária de Nutrição

 

Silvia Ramos

Nutricionista- CRN3/10908

 

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